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idéias.alucinações.disparates.monólogos impensados e um coração
sábado, setembro 16, 2006
Hello stranger,
Alarga esse sorriso, apronta o brigadeiro que esta é a minha carta para você.
Ontem eu disse: prometo, vou pensar melhor. Vejo-me uma estranha dentro de mim, falaram que era de tanto não se preocupar, de sair pelo mundo distribuindo as maçãs e deixar a minha cesta vazia, depois te explico melhor. Pensei em você, em como é difícil isso tudo, essa coisa de olhar para dentro e não se reconhecer em si. E por cansar de esperar a sua carta, por medo de chegar até aí, te olhar nos olhos e derreter esse amor, pelo frio, (pensei que você deveria saber o quanto eu fico mal humorada com o nariz gelado), escrevo para te consolar, para dizer que eu me preocupo, que olho para dentro e também não me reconheço e dizer que hoje o pôr-do-sol foi ainda mais rosa e a lua cheia mais amarelada; comecei até a levantar sacos de arroz para acabar com a flacidez! Penso sempre em você, mas não descubro uma forma de curar a sua apatia, essa sua falta de coragem; penso que você é um daqueles dos quais eu vou sempre morrer de saudades. Aqui faz um silêncio, me deixaram sozinha, aproveitei para dormir e esquecer de estudar aquelas coisas chatas, vou deixar tudo para amanhã, hoje ainda é segunda-feira. E sabe aquela raiva? Tratei de consertar. Acho que não é mais tempo de continuar com os chiliques, com as crises de ansiedade, com os milhares de refúgios. Passei o dia olhando o nada e pensando, sem o mínimo de concentração, de cuidado. Parece que as coisas andam meio devagar para o nosso lado. Eu sei o quanto é chato tentar se mexer, encontrar ânimo, não somos tendenciosos a mudanças e se as aulas de física não serviram para nada, vamos lá! Ainda nos falta uma vida inteira. Um dos meus passa-tempos preferidos é parar e pensar no futuro, eu já escolhi ficar por aqui ou morar em Paris; ter um fusca rosa ou um daqueles carros populares novinhos; escolhi aprender francês, piano, praticar ioga ou engordar e enrugar comendo um pote de sorvete por dia; pensei em passar uns tempos nas estradas mexicanas bebendo tequila e aprendendo tango com um argentino perdido; pensei em casar, ter filhos, morar em uma casa pequena e rosa ou em um castelo ou na casa da árvore. Eu sempre quis uma casa na árvore. Você deveria tentar e se divertir, depois me conta essas suas vontades e me fala melhor desse novo amor platônico que me deixa enciumada. Vê se toma café no café da manhã, me mostra que está ficando fortinho para você mesmo, vê se lê o horóscopo só quando fará um bom dia, não esquece de tomar o anticoncepcional e tenta entender o que isso quer dizer, dá um abraço, um beijo e diz que a ama antes que ela se esqueça; e faz isso por mim, a minha Amélia anda meio fora de rumo. Não deixa escapar os amores, não me deixa acordada a madrugada inteira esperando você chegar. Deixa, um outro dia eu te ensino receitas novas e critico as suas. Se esbalde. Eu amo você.
posted by a.fernandes @ 12:11 AM   4 comments
domingo, setembro 10, 2006
Vai, esquece os pés descalços na água serena. Ajuda-me a esquecer todos aqueles outros dias que eu teimo e digo: é para crescer. Esquece da manhã quente em que andávamos quase nus, da manhã que não agüentávamos e nos amávamos ali mesmo, em qualquer lugar, no chão da cozinha, no sofá da sala, até que não suportávamos mais e morríamos um no outro, você em mim. Sentíamos o coração desacelerar, sentíamos o cansaço. E agora? Para onde vai tanta solidão? Pensei que fosse esse o seu medo. E eu que mudei tanto, eu falei tantas vezes sim, sim, sim, com o tal aperto no peito e pensando: eu mimo demais você. Vê se se dedica a outra, que não seja outro alguém, uma outra coisa que você ame e cuide com prazer, como o inglês, ou o piano. Faz-te brilhar os olhos. Vê se não esquece a nossa música preferida, escute-a com mais carinho na próxima vez. E pára de dizer que não é culpado, que foi o conhaque, que foi a dor. Tenta não me ligar, tenta se alimentar, que eu tentarei dormir e sumir com esses enjôos. É que me sinto incapaz, eu deveria ter te ensinado sobre a vida, e você deveria ter me ensinado a não te confiar um coração. Esquece daquela noite de estrelas cadentes, da minha cadência, da minha carência. Esquece a chave no esconderijo, talvez eu volte quando passar a bebedeira, a geladeira ainda está cheia. Talvez eu morra com essa febre, com essa saudade, com esse choro miúdo. Talvez agora você viaje de vez, tente mudar de cara para que eu não o reconheça por aí. Espero que suma. Que apareça. Que suma e apareça deferente, que me reconquiste, que volte a afagar a minha barriga sussurrando bom dia antes mesmo que eu abra os olhos e veja o sol. De súbito.
posted by a.fernandes @ 11:41 AM   2 comments
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About Me: "Quero brincar no teu corpo feito bailarina Que logo se alucina Salta e te ilumina Quando a noite vem E nos músculos exaustos do teu braço Repousar frouxa, murcha, farta Morta de cansaço"
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