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segunda-feira, março 26, 2007
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A chuva não é mais um acaso de verão. Permanece. Curta, limpa, embaça os olhos, liberta a alma. Permanece. Por um acaso, quem sabe. As gotinhas cadentes na janela da sala, deslizando no vidro, caindo devagar. Esbarram-se. Multiplicam-se. Escurece a casa.
Alguns poucos ainda caminham escondidos, fugindo. Não vejo ninguém se arriscando a molhar os cabelos, sujar as calças de lama. Não há ninguém por aí. Corre pra calçada.
- NÃO HÁ NINGUÉEEM?
Só a chuva que continua. As arvores dançando com o vento, as folhas provocando música. E ela dança, lento-rápido-devagar. Vagando. Sozinha por aí, correndo, pulando, dançando porque a chuva não quer parar.
- Ah se fosse sempre assim...
Assim talvez ela não gostasse tanto de molhar os cabelos. E as roupas encharcadas, quase nua. Transparente. Se deita no gramado verde do vizinho, olha o céu, as gotas de chuva e fecha os olhos. Sente os chuviscos, seu corpo, as partes quentes. Nenhum pensamento restante.
- NÃO HÁ NINGUÉM AÍII?
Abre os olhos e avista outro alguém distante. Camiseta branca e calça jeans. Correndo, pulando, cantando.
Os dois olhares a sós.
Só a chuva que continua nesta breve noite de verão.


-


escrevi isso a alguns anos.
posted by a.fernandes @ 1:02 AM   3 comments
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About Me: "Quero brincar no teu corpo feito bailarina Que logo se alucina Salta e te ilumina Quando a noite vem E nos músculos exaustos do teu braço Repousar frouxa, murcha, farta Morta de cansaço"
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