Não me tome por tola, querido. Gostaria de descobrir em mim um homem, um ego com quem conversar. Gostaria de desvendar-te, descobrir tuas sombras e arrancar os teus véus. Sabes que cuido. Curo tuas feridas. Devoto-me, grito “meu deus” quando nos deitamos. Quando você está, quando você não some à noite. E volta? Volta. Depois de dias de tantas lágrimas e angustia minhas. Meu medo é que dessa vez não voltes. O que falta, pra ti, em minha pobre alma? Qual cheiro ela te devolve? Qual lembrança? Não suporto tanta amargura, querido. Então te deixo. E não me encontrarás, nem pegadas, nem marcas, nem roupas para que cheires, para que penses que fui. Prefiro morrer a continuar assim, com essa dor e sem você. Por favor, não penses que duvido do teu amor por mim. Sei que me amas, mas também amas Joana, Catarina, clemente, Janaina e tantos outros e outras que nem ousei saber. És livre. E eu não sei amar alguém assim. És livre e só o livre conhece a total entrega e a partida sem dor. Eu não, eu choro. Deixe-me ir pra te amar na eternidade. |